terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Emergência e os Realities Shows





Steven Johnson, um escritor americano, definiu, em seu livro “Emergência, A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares”, o conceito de sistemas emergentes como uma interação entre diversos indivíduos seguindo certas regras e leis locais, sem o reconhecimento de uma “força maior”. Mas esta interação deve gerar algo relevante e construtivo, assim um comportamento coletivo é criado.
Para melhor entendimento, Johnson compara este conceito há um formigueiro. As formigas constroem o seu formigueiro sem seguir as ordens de uma formiga-rainha, mas sim as suas hierarquias próprias. Esta organização é conhecida como “bottom-up” (baixo-cima), que é o sistema em que a base obtém sua organização própria, sem a necessidade de algo por fora. Ainda existe o conceito de “Top-down” (cima-baixo) que está mais relacionado com as grandes cidades já que existe uma ordem superior comandando a base (governo), embora nelas o sistema “bottom-up” também está presente.


Exemplo para estes conceitos são os reality shows encontrados em abundancia na televisão mundial. No Brasil, os mais conhecidos são o Big Brother Brasil e a Fazenda. Ambos têm o mesmo objetivo, dar premio em dinheiro para aquele que a população julga merecer, só que no caso de “A Fazenda” os participantes são celebridades. Os sistemas emergentes, nesses exemplos brasileiros, funcionam de maneira em que a liberdade que os participantes têm de criar suas estratégias e atos perante o olhar das câmeras e do Brasil, remetendo ao exemplo das formigas que constroem o formigueiro do jeito que querem. Mas o “comandante” destes realities shows é a montagem do programa, pois ela tem o poder de manipular todos os acontecimentos, assim os participantes podem se tornarem os vilões ou mocinhos. Porém dentro da casa ou fazenda, os participantes têm a total idéia de que estão certos e estão agindo de forma coerente enquanto o Brasil vê um “roteiro” sendo feito pela direção do programa.

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